Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

09 | PDF

O PDF (Portable Document Format) criado em 1993 pela Adobe Systems é um formato de arquivo padronizado que permite a distribuição e a troca de documentos electrónicos de forma mais segura.

Este formato é utilizado a nível mundial por se considerar que optimiza a troca de documentos, aumenta a produtividade e diminui a dependência de papel. O PDF é também considerado um padrão por poder ser representado independentemente dos aplicativos, hardware ou sistema operacional utilizado.

Os PDF’s podem ser criados fazendo scan de documentos impressos ou convertendo documentos criados em Word, InDesign, Pagemaker, QuarkXPress (entre outros).

Considera-se que os PDF’s são a forma mais fácil de colocar ficheiros existentes na WEB. Normalmente, os documentos com este formato que encontramos na WEB são:

- Planfletos e folhas informativas;

- Documentos extensos com gráficos e imagens;

- Documentos impressos que têm um tempo de vida curto (press releases);

- Documentos para impressão por parte dos utilizadores;

- Documentos protegidos por palavras-chave.

Os arquivos PDF devem ter a mesma aparência dos documentos originais e para isso devem preservar as fontes, as imagens, os elementos gráficos e o layout de qualquer arquivo de origem; independentemente do aplicativo e da plataforma que foram usados para criá-lo. No entanto, todos já tivemos algum problema neste campo, nem sempre os documentos PDF preservam a integridade dos documentos originais.

Os documentos PDF têm como grande vantagem a facilidade de partilha e distribuição. Qualquer pessoa pode partilhar, visualizar e imprimir os documentos em qualquer sistema usando o software gratuito Adobe Reader® independentemente do sistema operacional, do aplicativo de origem ou das fontes.

Os arquivos PDF podem também ser protegidos através de senhas, impedindo a visualização e a alteração não autorizadas e, ao mesmo tempo, permitindo que os revisores autorizados usem as ferramentas de comentários e edição.

Uma das grandes mais-valias do PDF, que também é crucial para a acessibilidade é a possibilidade de pesquisa dentro do arquivo. O PDF tem recursos de pesquisa de texto completo para localizar palavras, marcadores e campos de dados em documentos.

Tem-se assistido a um aumento considerável do número de PDF na Web, o que levanta algumas questões ao nível da acessibilidade, especialmente no que respeita a utilizadores de leitores d ecrã.

O formato PDF não é considerado um standard W3C no entanto, alguns pontos de verificação da WCAG podem ser aplicados ao PDF, tais como:

- "Provide a text equivalent for every non-text element. This includes images, graphical representations of text ..." WCAG Checkpoint 1.1

- "Ensure that pages are accessible even when newer technologies are not supported or are turned off." WCAG Guideline 6

O que realmente torna o PDF mais acessível é a criação de uma estrutura. Um documento sem estrutura, como uma imagem JPEG de um documento é dificilmente acessível. Com a introdução das Tags na versão 1.4, o PDF ganhou navegabilidade, estrutura e tornou-se possível ordenar os conteúdos de forma lógica.

As Tags são utilizadas para definir a estrutura do documento, assegurar a ordem de leitura dos conteúdos e também são a forma standard de descrever os caracteres de texto, independentemente da font utilizada, para que os leitores de ecrã possam “ler” todas as letras e palavras correctamente. No entanto, nem todos os documentos com Tags são acessíveis, já que estas podem e são muitas vezes mal utilizadas. É também importante frisar que não é muito frequente encontrarmos na Web documentos PDF estruturados, mesmo em sites que demonstram algumas preocupações de acessibilidade, os PDF não reflectem as mesmas preocupações.

Noções a ter em conta na preparação de um PDF acessível:

- Quando fazemos um scan de um documento para criar um PDF, o resultado é um PDF Image Only file. Apesar de poder ser visto num Acrobat Reader, este conteúdo não é reconhecido por um leitor de ecrã.

Para tornar um PDF deste tipo acessível, é necessário “passar” o documento por um sistema de reconhecimento de caracteres (OCR), o que não é assim tão simples já que normalmente é necessária uma revisão em que se confirme que o que o computador compreende é realmente o que está na imagem;

- Documentos gerados no Word ou no InDesign são mais facilmente transformados em PDF;

- A forma mais simples de criar PDF com tags é utilizando o Microsoft Office 2000 ou superior;

- O Microsoft Office permite a criação de PDF com tags, no entanto o documento deve estar bem estruturados ao nível de estilo e formatação;

- Deve também ser adicionado no Word o texto descritivo de todas as imagens do documento.

A Adobe tem apostado na melhoria a acessibilidade dos seus produtos, facto reconhecido por todos os grupos e associações de pessoas com deficiência. Foram desenvolvidas uma serie de orientações que auxiliam a criação de um PDF mais acessível no entanto, o uso de PDF na Web é ainda uma grande barreira particularmente para pessoas invisuais que necessitam de um software de leitura de ecrã.

Video: “…Sean Keegan, a premier expert on document and web accessibility, will address usability and accessibility issues of the PDF, strategies for the creation of accessible electronic documents, and the appropriate use of software applications to ensure accessibility of web documents…”

Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

08 | VoiceXML

Voice Extensible Markup Language (VoiceXML) é uma linguagem baseada em XML que pretende criar uma comunicação mais interactiva entre Homem e computador através do desenvolvimento de interfaces controladas por voz.

Esta linguagem foi desenvolvida para criar diálogos interactivos utilizando áudio digital e voz sintetizada; reconhecendo inputs de voz de DTMF e gravando inputs de voz.

As interfaces VoiceXML utilizam o automatic speech recognition (ASR) e/ou touchstone (DTMF key pad) para o input e o text-to-speech synthesis (TTS) para output.

Esta linguagem pode dar diversos tipos de instruções a um voice browser, como por exemplo accionar o sintetizador de voz, fazer o reconhecimento de voz ou organizar o diálogo. O código que se segue quando “lido” por um VoiceXML interpreter fará accionar o sintetizador de voz, o qual produzirá a palavra Olá.







Criado pela AT&T, IBM, Lucent e pela Motorola em Março de 1999, o
VoiceXML Forum é uma organização que promove e incentiva a adopção de aplicações baseadas em VoiceXML à escala global.

O W3C publicou as versões 2.0 2 e 2.1 do VoiceXML como recomendações finais, o que equivale a um standard. O W3C e VoiceXML Forum estão actualmente a desenvolver a versão 3.0.

Os ficheiros VoiceXML podem ser interpretados por um sistema interactivo de resposta por voz (IVR). Este tipo de interface interactiva entre homem/máquina permite ao utilizador navegar pela informação disponibilizada utilizando comandos de voz ou DTMF (no caso de um telefone). A linguagem VXML permite criar menus de escolha múltipla, reproduzir ficheiros áudio, reconhecimento de voz, sintetização de voz e detecção de DTMF.

O VoiceXML simplifica bastante a aplicação de sistemas de voz, já que permite que os developers utilizem estruturas Web, ferramentas e técnicas que lhes são muito familiares. A maioria dos developers considera que criar uma aplicação VXML é um processo mais simples e mais rápido do que criar um IVR.

O VoiceXML pode ser aplicado em diversos ambientes desde a telefonia, a computadores com voice browser, electrodomésticos controlados por voz, entre outros. Portanto, esta é uma linguagem que se adapta a vários contextos e várias interfaces, podendo ser facilmente combinada com outros standards do W3C.

Um dos principais concorrentes do VoiceXML é o SALT (Speech Aplication Language Tags). Esta linguagem permite também uma abordagem multimodal dos sistemas de voz, contudo, o VXML continua a ser a linguagem mais utilizada. O SALT embora esteja actualmente mais avançado do que os primeiros standards do VXML ainda não é oficialmente recomendada pelo W3C. O VoiceXML Forum fez uma comparação entre as duas linguagens - online no site: http://www.voicexml.org/salt/comparisons.html.

Terça-feira, 3 de Junho de 2008

07 | SVG In DAISY

A sigla SVG significa Scalable Vector Graphics. Uma forma interessante de perceber melhor este formato é analisar cada palavra da sigla que o representa.

A palavra Scalable sugere em termos gráficos que uma imagem não esta limitada a um tamanho e na Web significa que determinada tecnologia pode crescer relativamente ao número de ficheiros, utilizadores e variedade de aplicações.

As imagens SVG podem ser aumentadas para qualquer resolução, para que por exemplo possa ser aproveitada toda a resolução de uma impressora e para que as imagens sejam visualizadas da mesma forma em ecrãs de tamanhos e resoluções diferentes. Isto acontece porque os ficheiros SVG podem ser stand-alone graphics ou estar incluídos ou referenciados noutros ficheiros SVG, permitindo assim que a ilustração possa ser construída em partes.

Um Vector contém objectos geométricos, como linhas e curvas. Isto proporciona uma flexibilidade maior do que, por exemplo, formatos raster-only como PNG ou JPEG que armazenam informações sobre todos os pixeis.

A maioria das linguagens representam informação textual, já o SVG permite uma descrição estruturada de vectores e vector/raster Graphics.

O SVG foi criado em 1998 pelo W3C SVG Working Group. Este formato baseia-se na linguagem XML utilizada para descrever vectores estáticos, dinâmicos ou animados.

O SVG é ideal para a criação, distribuição e impressão de imagens visuais ou tácteis (imagens com relevo destinadas essencialmente a pessoas com deficiências visuais).

Actualmente, o SVG apresenta-se como o formato preferencial para ilustrar conteúdo áudio/táctil. Nestes casos, o computador faz a leitura do conteúdo áudio enquanto a imagem táctil é colocada numa ferramenta de entrada sensível ao toque.

O DAISY Consortium considera que ao explorar todas as potencialidades referidas, o formato DAISY ficaria estrategicamente bem posicionado relativamente as tecnologias que requerem componentes áudio/tácteis.

O projecto SVG in DAISY tem como objectivo criar orientações simples e concretizáveis para a integração do SVG no standard DAISY como formato preferencial de conteúdo gráfico.

É essencial que as imagens possam abranger para uma grande variedade de utilizadores e necessidades, incluindo aqueles que necessitam de um diagrama táctil. Para além de ser um formato que permite outputs tácteis e áudio/tácteis, o SVG é também bastante útil para utilizadores que necessitam de aumentar significativamente a imagem para melhor a visualizarem. Por não serem baseadas em pixéis, as imagens ficam completamente nítidas e não há qualquer distorção.

A escolha do SVG como formato de imagens recomendado pela DAISY deve-se ao facto de este ser um formato baseado em texto, que funciona numa plataforma independente e cuja estrutura interna permite anotações textuais extensas e navegação semântica.

Com o desenvolvimento de orientações para a introdução do SVG no DAISY, o grupo de trabalho SVG in DAISY irá dedicar-se a fazer com que o SVG permita o render para uma grande variedade de meios acessíveis, como o táctil, áudio/táctil, voz e outros. Para além disto, este grupo de trabalho irá criar instruções detalhadas para o desenvolvimento de ferramentas que promovam a contínua inclusão do SVG no standard DAISY.

Este grupo irá também identificar e descrever detalhadamente os perfis dos utilizadores, incluindo as suas necessidades específicas, centrando-se em deficiências como: cegueira, baixa visão, deficiências motoras e print-reading disabilities.

No decorrer do desenvolvimento das orientações para a introdução do SVG no DAISY, o grupo de trabalho irá manter contacto com o grupo W3C-SVG, para que o standard SVG não seja alterado. Caso seja necessário, o grupo SVG In DAISY poderá recomendar que algumas modificações sejam incorporadas no standard SVG.

O grupo de trabalho irá desenvolver materiais didácticos e tutoriais com o intuito de explicar como criar conteúdos DAISY utilizando SVG.

O SVG In DAISY preocupa-se também em especificar os métodos de interacção entre os utilizadores de DAISY e o conteúdo SVG, centrando-se principalmente em utilizadores invisuais.

Para existir interacção áudio/táctil é necessária uma cópia táctil e um hardware que permita aos utilizadores obter informações sobre a imagem táctil ou sobre qualquer objecto ou texto que esteja em imagem. O hardware mais utilizado para estas funções é um touch-sensitive pad, onde se pode colocar a cópia táctil. Este hardware envia informações para o computador que depois através do sistema de voz comunica a informação relativa ao ponto indicado pelo utilizador.

As imagens SVG podem conter texto e elementos gráficos, os quais podem ter título e descrição. Em regra, os utilizadores estão habituados a ouvir o título do objecto e depois fazer algo que inicie a leitura da descrição.

Apesar de este tipo de interacção se intitular áudio/táctil, não deixa de ser possível representar em Braille a parte áudio, tornando assim os conteúdos acessíveis a utilizadores invisuais e surdos.

Funções essenciais:

| O utilizador deve ter a possibilidade de ouvir o texto seleccionado;

| O utilizador deve ter a possibilidade de ouvir o titulo de um objecto gráfico quando seleccionado;

| O utilizador deve ter a possibilidade de aceder a informações áudio através de um display braille on-line;

| O utilizador deve ter a possibilidade de pedir descrições adicionais sobre determinado conteúdo;

| O utilizador deve ter a possibilidade de ouvir o título e a descrição da imagem.

Sábado, 24 de Maio de 2008

06 | DAISY

O DAISY Consortium foi criado em Maio de 1996 – DAISY significa Digital Accessible Information System.

A visão deste Consorcio é fazer com que toda a informação publicada esteja disponível para pessoas com “print disabilities”, num formato acessível e navegável, sem grandes demoras em relação à data de publicação da versão impressa e sem maiores custos.

O formato DAISY é considerado um DTB (Digital Talking Book). Um talking book tradicional é apenas uma versão áudio analógica de uma publicação impressa, enquanto o DTB já inclui a multimédia.

Os talking books tradicionais demonstraram algumas limitações, como por exemplo: aceder a determinados pontos dentro do livro e a qualidade do som. O standard DAISY pretende combater essas limitações criando não apenas um ficheiro mas vários, que em conjunto conseguem fornecer uma maior liberdade ao utilizador.

O formato DAISY é constituido por diferentes tipos de ficheiros que cumprem funções bastante especificas dentro do DAISY:

| Descrição da lista de arquivos (Package File em XML)

| Arquivo de conteúdo textual (texto e funcionalidades em XML)

| Arquivos de áudio (voz humana ou sintetizada em. aac, .mp3 ou .wav)

| Arquivos de Imagens (.jpg, .png ou .svg)

| Arquivos de sincronização (SMIL)

| Arquivo de controlo da navegação (NCX)

| Arquivo de marcadores e destaques

| Arquivo de recursos (feedback sobre a localização actual do utilizador no documento);

| Arquivos de distribuição da informação;

| Estilos de apresentação (folhas de estilo adequadas a cada meio de apresentação).

Os livros produzidos segundo o standard DAISY oferecem uma abordagem multi-sensorial à leitura, já que possibilitam ouvir e ler as informações ao mesmo tempo.

Um individuo invisual ou com dificuldades de visão pode navegar nos livros DAISY através dos heading, capítulos e paginas. Podem também ter acesso a imagens com descrição textual e fazer bookmarks no áudio e texto.

Funcionalidades do DAISY:

| Navegação rápida e flexível – permite navegar entre parágrafos, capítulos, páginas e notas de rodapé, o que não pode ser feito em talking books tradicionais;

| Marcação do texto (marcadores e destaques) - é possível colocar notas, destacar e sublinhar

| Pesquisa por palavras

| Soletração de palavras quando requisitada

| Controlo da apresentação (escolher quando e se quer ouvir as notas de rodapé, numeração de páginas…)

Em Março de 2002 foi lançado o DAISY 3 segundo o padrão ANSI/NISO Z39.86. Este padrão foi desenvolvido em conjunto pelo Consorcio DAISY, pela The National Library for the Blind and Physicallu Handicapped e por várias organizações Norte Americanas.

O padrão DAISY Standard ANSI/NISO Z39.86 introduz o seguinte:

| Define os formatos e conteúdos de um conjunto de arquivos electrónicos que constituem o DAISY

| Estabelece os requisitos para os players de DAISY

| Define uma grande variedade de tipos de documentos:

- Desde ficheiros áudio sem nenhum texto até documentos de texto sem áudio

Desde documentos praticamente sem estrutura até documentos com estrutura e vários recursos que podem ser personalizados.


É importante ter a noção de que também são considerados livros DAISY documentos que não exploram todas as potencialidades do padrão, ou seja, podem ser DAISY livros que só incluam áudio, o que não é um grande avanço comparativamente ao talking book tradicional e demonstra as mesmas fraquezas.

Existem 6 tipos de DAISY normalizados:

| Só áudio (audioOnly) - voz gravada sem estrutura e proporciona navegação

| Áudio com estrutura (audioNCX) - navegação apenas em itens incluídos no arquivo NCX

| Áudio com estrutura e texto parcial (audioPartText) - parte do documento está em arquivo textual

| Áudio com estrutura e texto completo (audioFullText) - conteúdo integral em texto e áudio

| Texto completo com estrutura e áudio parcial (textPartAudio)

| Texto completo com estrutura mas sem áudio (textNCX)

Para aceder aos livros DAISY é necessário um player especial, o que poderá trazer alguns problemas. No entanto, já existem softwares open source que permitem ler o formato DAISY, como por exemplo o AMIS (Adaptive Multimedia Information System) desenvolvido pela DAISY for All.

Até ao momento, não foi possível criar um Digital Talking Book que automaticamente crie um documento em Braille. No entanto, o Consorcio DAISY está a desenvolver estudos para resolver esta lacuna.

Apesar dos actuais standards DAISY permitirem a inclusão de vários tipos de imagens sente-se que esta funcionalidade não está a ser utilizada no seu potencial máximo. Este facto fica a dever-se à falta de recomendações respeitantes a conteúdos gráficos no standard DAISY.

Um dos grupos de trabalho da DAISY está a desenvolver uma serie de orientações para a incorporação do Scalable Vector Graphics (SVG) no padrão DAISY. O SVG foi escolhido como formato preferencial de imagem por ser baseado em texto, ter uma plataforma independente e por permitir numa boa estrutura interna que pode ser usada para anotações textuais mais extensas.

Terça-feira, 20 de Maio de 2008

05 | Acessibilidade na Web II

A Internet é considerada um dos mais importantes meios de comunicação da chamada Sociedade da Informação e tem o potencial de ser um meio cada vez mais acessível, fornecendo “Universal Information Access”.

No entanto, se as aplicações para a Web não forem pensadas e desenhadas correctamente geram barreiras de acesso que impedem a compreensão dos conteúdos por parte de utilizadores com necessidades especiais, idosos, utilizadores de softwares mais antigos e de assistive softwares. Tal como referiu Tim Berners Lee The power of the Web is in its universality. Access by everyone regardless of disability is an essential aspect”.

Nos últimos anos tem se assistido a um aumento dos estudos relativos a acessibilidade na Web, principalmente nas áreas de Hypermedia, Sofware engeneering, Multimedia e HCI. Apesar deste aumento de estudos e da visível preocupação sobre acessibilidade, a maioria dos criadores de conteúdos não estão suficientemente atentos nem motivados para as questões de acessibilidade e usabilidade. Num inquérito realizado em 2007, a 605 indivíduos Brasileiros envolvidos na criação de sites, concluiu-se que 48% dos inquiridos não utilizam nenhum método de avaliação da acessibilidade, 39% desconhecem as recomendações do W3C e 30% têm um conhecimento considerado básico em relação às mesmas.

É possível denotar também uma maior preocupação no desenvolvimento de “assistive tecnologies” como leitores de ecrã. Os leitores de ecrã apenas processam informação que pode ser lida como texto logo, imagens sem atributo alt ou tabelas mal construídas tornam-se barreiras para os utilizadores invisuais.

A criação de páginas Web acessíveis a utilizadores invisuais é uma das questões mais comuns ao nível da acessibilidade, já que quando no desenvolvimento de um site são ignoradas as directrizes de acessibilidade, o produto final é completamente inacessível a utilizadores invisuais.

De acordo com Andre Pimenta Freire, Rudinei Goularte e Renata P. M. Fortes a maioria dos estudos realizados na área da acessibilidade centram-se nas directrizes e nas ferramentas e avaliação, abordando tópicos como: testes de utilizadores, alterações experimentais de directrizes, utilizadores invisuais ou de baixa visão e idosos.

Ainda segundo com os mesmos autores, de 2004 a 2006 tem se assistido a um aumento do número de estudos relacionados com acessibilidade e consequentemente um aumento da diversidade dos mesmos.


Fonte: "Techniques for Developing More Accessible Web Applications: a Survey Towards a Process Classification", de Andre Pimenta Freire, Rudinei Goularte e Renata P. M. Fortes.

Domingo, 27 de Abril de 2008

04 | Acessibilidade na Web

A acessibilidade na Web é normalmente dirigida para pessoas que:

  • Não têm a capacidade de ver, de ouvir ou de se deslocar;
  • Têm grandes dificuldades, quando não mesmo a impossibilidade, de interpretar determinados tipos de informações;
  • Não possuem teclado ou rato, ou não são capazes de os utilizar;
  • Têm um navegador que apenas apresenta texto, um monitor de dimensões reduzidas ou uma ligação à Internet muito lenta;
  • Não falam ou não compreendem suficientemente bem a língua em que o conteúdo da página foi escrito;
  • Têm os olhos, os ouvidos ou as mãos ocupados ou de outra forma solicitados (por ex: ao volante a caminho do emprego ou ao trabalhar num ambiente barulhento);
  • Têm uma versão muito antiga de um navegador, um navegador completamente diferente dos habituais, um navegador por voz, ou um sistema operacional menos vulgarizado.

Tendo em consideração o acima referido, torna-se essencial reflectir sobre os modos de navegação possíveis e que melhor servem as necessidades das pessoas com algum tipo de deficiência.

Existem três tipos de navegação: via rato, via teclado e por comando de voz.

Embora a navegação através do rato seja a mais comum, a maioria das pessoas com necessidades especiais utilizam o teclado para a navegação.

  • Pessoas invisuais ou com baixa visão não conseguem posicionar o cursor, por exemplo nos links;
  • Pessoas com dificuldades de coordenação dos membros superiores, que não têm a precisão exigida por um rato, mas que conseguem pressionar as teclas dos teclados comuns ou dos teclados com teclas de maiores dimensões;
  • Pessoas que recorrem a tecnologias assistivas que requerem o uso do teclado.

As pessoas invisuais ou de baixa visão, conseguem orientar-se num teclado comum através da colocação dos dedos indicadores nas teclas "F" e "J" que possuem um relevo na parte inferior. A partir destas referências, é possível escrever, navegar e executar os atalhos decorando a posição das restantes letras em relação ao “F” e ao “J”.

Partindo do posicionamento do indicador esquerdo na letra "F", onde existe o relevo, sabe-se que o dedo mindinho esquerdo, encontrará a letra "A", e que subindo uma carreira com o dedo médio, encontraremos a letra "E", e por aí em diante. O número 5 do teclado numérico, também possui relevo.

A navegação via teclado não exige qualquer tipo de programa especial, já que os navegadores permitem a utilização de determinadas teclas para executar funções, como por exemplo sair de uma aplicação:

  • Ir ao menu file > exit ou clicar Alt+F4

Existem várias normas que permitem criar página Web acessíveis, não apenas para um determinado grupo de pessoas com necessidades especiais, mas para todas as pessoas que necessitam desses recursos.

A acessibilidade é importante para todos, não apenas às pessoas com deficiência. As páginas acessíveis fazem loading mais rápido, independentemente do tipo de ligação; têm mais possibilidades de serem encontradas pelos motores de busca e facilitam a navegação em qualquer tipo de dispositivo, independente das condições da pessoa.

As directrizes do Consórcio W3C, cujo objectivo principal é a promoção do desenvolvimento de páginas acessíveis, explicam claramente como estruturar o conteúdo de forma a torná-lo acessível para todos, independentemente das plataformas de acesso: navegadores comuns, navegadores por voz, telemóveis, PCs de automóveis, leitores de ecrã, ampliadores de ecrã, em qualquer que seja a limitação associada.

O WCAG 1.0, afirma: "Os criadores de conteúdo Web devem tornar as suas produções compreensíveis e navegáveis. Isto passa não só por uma linguagem clara e simples, mas também pela disponibilização de meios compreensíveis para proceder a navegação entre páginas e no interior delas. A inclusão de ferramentas de navegação e orientação nas páginas é um factor que potencializa a acessibilidade e a facilidade de utilização para todos".




Vídeo de: Acesso digital

Sábado, 12 de Abril de 2008

03 | BAES: público e objectivos



Público-alvo

O público-alvo principal da BAES são os estudantes com necessidades educativas especiais (Nee) abrangidos pela isenção de direitos de autor, como por exemplo: estudantes com deficiência visual, auditiva, motora (afectando os membros superiores), dislexia, disortografia e disgrafia. Estes estudantes têm acesso integral aos conteúdos disponibilizados pela BAES.

A BAES também tem como público-alvo a comunidade académica das instituições parceiras, nomeadamente os docentes. Estes podem aceder e usar a infra-estrutura criada, com o intuito de conhecerem o seu modo de funcionamento e o tipo de informações e suportes disponíveis. Contudo, este grupo não tem acesso integral aos conteúdos em oposição aos estudantes com Nee.


Objectivos de acesso à informação:
- Criar postos de trabalho nas universidades parceiras, para que os estudantes com nee possam consultar o acervo da BAES;
- Formar pessoas com necessidades especiais, no que respeita à correcta utilização do equipamento;
- Divulgar a iniciativa;
- Utilização do site para que todos os parceiros possam aceder aos conteúdos disponibilizados, mediante autenticação.


Objectivos de produção:
- Dotar os actuais centros de produção da capacidade produtiva necessária, que lhes permita responder de forma mais eficaz e eficiente às necessidades dos estudantes com Nee;
- Desenvolver áreas de produção, até à data, pouco exploradas, como é o caso da grafia matemática Braille, da grafia química Braille e da musicografia Braille;
- Incremento da produção de material em formatos alternativos;
- Garantir a diversificação e aumento da produção de informação acessível a todos os parceiros, evitando-se a duplicação de informação;
- Disponibilização dos registos já existentes nas entidades produtoras e da informação aos Técnicos de Bibliotecas;
- Definição de regras de uniformização de produção.

Objectivos de partilha da informação:
-Desenvolvimento e operacionalização de integração com os Sistemas de Gestão das Bibliotecas;
-Operacionalização da plataforma global.