O DAISY Consortium foi criado em Maio de 1996 – DAISY significa Digital Accessible Information System.
A visão deste Consorcio é fazer com que toda a informação publicada esteja disponível para pessoas com “print disabilities”, num formato acessível e navegável, sem grandes demoras em relação à data de publicação da versão impressa e sem maiores custos.
O formato DAISY é considerado um DTB (Digital Talking Book). Um talking book tradicional é apenas uma versão áudio analógica de uma publicação impressa, enquanto o DTB já inclui a multimédia.
Os talking books tradicionais demonstraram algumas limitações, como por exemplo: aceder a determinados pontos dentro do livro e a qualidade do som. O standard DAISY pretende combater essas limitações criando não apenas um ficheiro mas vários, que em conjunto conseguem fornecer uma maior liberdade ao utilizador.
O formato DAISY é constituido por diferentes tipos de ficheiros que cumprem funções bastante especificas dentro do DAISY:
| Descrição da lista de arquivos (Package File em XML)
| Arquivo de conteúdo textual (texto e funcionalidades em XML)
| Arquivos de áudio (voz humana ou sintetizada em. aac, .mp3 ou .wav)
| Arquivos de Imagens (.jpg, .png ou .svg)
| Arquivos de sincronização (SMIL)
| Arquivo de controlo da navegação (NCX)
| Arquivo de marcadores e destaques
| Arquivo de recursos (feedback sobre a localização actual do utilizador no documento);
| Arquivos de distribuição da informação;
| Estilos de apresentação (folhas de estilo adequadas a cada meio de apresentação).
Os livros produzidos segundo o standard DAISY oferecem uma abordagem multi-sensorial à leitura, já que possibilitam ouvir e ler as informações ao mesmo tempo.
Um individuo invisual ou com dificuldades de visão pode navegar nos livros DAISY através dos heading, capítulos e paginas. Podem também ter acesso a imagens com descrição textual e fazer bookmarks no áudio e texto.
Funcionalidades do DAISY:
| Navegação rápida e flexível – permite navegar entre parágrafos, capítulos, páginas e notas de rodapé, o que não pode ser feito em talking books tradicionais;
| Marcação do texto (marcadores e destaques) - é possível colocar notas, destacar e sublinhar
| Pesquisa por palavras
| Soletração de palavras quando requisitada
| Controlo da apresentação (escolher quando e se quer ouvir as notas de rodapé, numeração de páginas…)
Em Março de 2002 foi lançado o DAISY 3 segundo o padrão ANSI/NISO Z39.86. Este padrão foi desenvolvido em conjunto pelo Consorcio DAISY, pela The National Library for the Blind and Physicallu Handicapped e por várias organizações Norte Americanas.
O padrão DAISY Standard ANSI/NISO Z39.86 introduz o seguinte:
| Define os formatos e conteúdos de um conjunto de arquivos electrónicos que constituem o DAISY
| Estabelece os requisitos para os players de DAISY
| Define uma grande variedade de tipos de documentos:
- Desde ficheiros áudio sem nenhum texto até documentos de texto sem áudio
Desde documentos praticamente sem estrutura até documentos com estrutura e vários recursos que podem ser personalizados.
É importante ter a noção de que também são considerados livros DAISY documentos que não exploram todas as potencialidades do padrão, ou seja, podem ser DAISY livros que só incluam áudio, o que não é um grande avanço comparativamente ao talking book tradicional e demonstra as mesmas fraquezas.
Existem 6 tipos de DAISY normalizados:
| Só áudio (audioOnly) - voz gravada sem estrutura e proporciona navegação
| Áudio com estrutura (audioNCX) - navegação apenas em itens incluídos no arquivo NCX
| Áudio com estrutura e texto parcial (audioPartText) - parte do documento está em arquivo textual
| Áudio com estrutura e texto completo (audioFullText) - conteúdo integral em texto e áudio
| Texto completo com estrutura e áudio parcial (textPartAudio)
| Texto completo com estrutura mas sem áudio (textNCX)
Para aceder aos livros DAISY é necessário um player especial, o que poderá trazer alguns problemas. No entanto, já existem softwares open source que permitem ler o formato DAISY, como por exemplo o AMIS (Adaptive Multimedia Information System) desenvolvido pela DAISY for All.
Até ao momento, não foi possível criar um Digital Talking Book que automaticamente crie um documento em Braille. No entanto, o Consorcio DAISY está a desenvolver estudos para resolver esta lacuna.
Apesar dos actuais standards DAISY permitirem a inclusão de vários tipos de imagens sente-se que esta funcionalidade não está a ser utilizada no seu potencial máximo. Este facto fica a dever-se à falta de recomendações respeitantes a conteúdos gráficos no standard DAISY.
Um dos grupos de trabalho da DAISY está a desenvolver uma serie de orientações para a incorporação do Scalable Vector Graphics (SVG) no padrão DAISY. O SVG foi escolhido como formato preferencial de imagem por ser baseado em texto, ter uma plataforma independente e por permitir numa boa estrutura interna que pode ser usada para anotações textuais mais extensas.

2 comentários:
Relacionado com o trabalho que estou a desenvolver...
A concepção de e-books DAISY é algo muito útil e, de certo modo, muito revolucionário, pois permite a inclusão de texto, audio ou ambos de forma acessível a pessoas com "print disabilities". É um passo significativo que se dá na área da educação, dado que o conteúdo dos e-books educativos se destina, em grande parte, a alunos (seja de que faixa etária for) e isto caminha para o Design Inclusivo. O Nimas, embora um pouco limitado, tem sido aclamado como referência no apoio à Educação.
Muito bem Rita! Julgo que era interessante aprofundar um pouco mais o grupo de trabalho da DAISY dedicado ao SVG. Tenho ideia que, após a sua implementação, essa será uma das grandes mais-valias ao nível da Acessibilidade.
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Objectivos estratégicos do SVG na DAISY; Estado actual de implementação; Perspectivas futuras.
Continuação de um bom trabalho!
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