Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

09 | PDF

O PDF (Portable Document Format) criado em 1993 pela Adobe Systems é um formato de arquivo padronizado que permite a distribuição e a troca de documentos electrónicos de forma mais segura.

Este formato é utilizado a nível mundial por se considerar que optimiza a troca de documentos, aumenta a produtividade e diminui a dependência de papel. O PDF é também considerado um padrão por poder ser representado independentemente dos aplicativos, hardware ou sistema operacional utilizado.

Os PDF’s podem ser criados fazendo scan de documentos impressos ou convertendo documentos criados em Word, InDesign, Pagemaker, QuarkXPress (entre outros).

Considera-se que os PDF’s são a forma mais fácil de colocar ficheiros existentes na WEB. Normalmente, os documentos com este formato que encontramos na WEB são:

- Planfletos e folhas informativas;

- Documentos extensos com gráficos e imagens;

- Documentos impressos que têm um tempo de vida curto (press releases);

- Documentos para impressão por parte dos utilizadores;

- Documentos protegidos por palavras-chave.

Os arquivos PDF devem ter a mesma aparência dos documentos originais e para isso devem preservar as fontes, as imagens, os elementos gráficos e o layout de qualquer arquivo de origem; independentemente do aplicativo e da plataforma que foram usados para criá-lo. No entanto, todos já tivemos algum problema neste campo, nem sempre os documentos PDF preservam a integridade dos documentos originais.

Os documentos PDF têm como grande vantagem a facilidade de partilha e distribuição. Qualquer pessoa pode partilhar, visualizar e imprimir os documentos em qualquer sistema usando o software gratuito Adobe Reader® independentemente do sistema operacional, do aplicativo de origem ou das fontes.

Os arquivos PDF podem também ser protegidos através de senhas, impedindo a visualização e a alteração não autorizadas e, ao mesmo tempo, permitindo que os revisores autorizados usem as ferramentas de comentários e edição.

Uma das grandes mais-valias do PDF, que também é crucial para a acessibilidade é a possibilidade de pesquisa dentro do arquivo. O PDF tem recursos de pesquisa de texto completo para localizar palavras, marcadores e campos de dados em documentos.

Tem-se assistido a um aumento considerável do número de PDF na Web, o que levanta algumas questões ao nível da acessibilidade, especialmente no que respeita a utilizadores de leitores d ecrã.

O formato PDF não é considerado um standard W3C no entanto, alguns pontos de verificação da WCAG podem ser aplicados ao PDF, tais como:

- "Provide a text equivalent for every non-text element. This includes images, graphical representations of text ..." WCAG Checkpoint 1.1

- "Ensure that pages are accessible even when newer technologies are not supported or are turned off." WCAG Guideline 6

O que realmente torna o PDF mais acessível é a criação de uma estrutura. Um documento sem estrutura, como uma imagem JPEG de um documento é dificilmente acessível. Com a introdução das Tags na versão 1.4, o PDF ganhou navegabilidade, estrutura e tornou-se possível ordenar os conteúdos de forma lógica.

As Tags são utilizadas para definir a estrutura do documento, assegurar a ordem de leitura dos conteúdos e também são a forma standard de descrever os caracteres de texto, independentemente da font utilizada, para que os leitores de ecrã possam “ler” todas as letras e palavras correctamente. No entanto, nem todos os documentos com Tags são acessíveis, já que estas podem e são muitas vezes mal utilizadas. É também importante frisar que não é muito frequente encontrarmos na Web documentos PDF estruturados, mesmo em sites que demonstram algumas preocupações de acessibilidade, os PDF não reflectem as mesmas preocupações.

Noções a ter em conta na preparação de um PDF acessível:

- Quando fazemos um scan de um documento para criar um PDF, o resultado é um PDF Image Only file. Apesar de poder ser visto num Acrobat Reader, este conteúdo não é reconhecido por um leitor de ecrã.

Para tornar um PDF deste tipo acessível, é necessário “passar” o documento por um sistema de reconhecimento de caracteres (OCR), o que não é assim tão simples já que normalmente é necessária uma revisão em que se confirme que o que o computador compreende é realmente o que está na imagem;

- Documentos gerados no Word ou no InDesign são mais facilmente transformados em PDF;

- A forma mais simples de criar PDF com tags é utilizando o Microsoft Office 2000 ou superior;

- O Microsoft Office permite a criação de PDF com tags, no entanto o documento deve estar bem estruturados ao nível de estilo e formatação;

- Deve também ser adicionado no Word o texto descritivo de todas as imagens do documento.

A Adobe tem apostado na melhoria a acessibilidade dos seus produtos, facto reconhecido por todos os grupos e associações de pessoas com deficiência. Foram desenvolvidas uma serie de orientações que auxiliam a criação de um PDF mais acessível no entanto, o uso de PDF na Web é ainda uma grande barreira particularmente para pessoas invisuais que necessitam de um software de leitura de ecrã.

Video: “…Sean Keegan, a premier expert on document and web accessibility, will address usability and accessibility issues of the PDF, strategies for the creation of accessible electronic documents, and the appropriate use of software applications to ensure accessibility of web documents…”

Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

08 | VoiceXML

Voice Extensible Markup Language (VoiceXML) é uma linguagem baseada em XML que pretende criar uma comunicação mais interactiva entre Homem e computador através do desenvolvimento de interfaces controladas por voz.

Esta linguagem foi desenvolvida para criar diálogos interactivos utilizando áudio digital e voz sintetizada; reconhecendo inputs de voz de DTMF e gravando inputs de voz.

As interfaces VoiceXML utilizam o automatic speech recognition (ASR) e/ou touchstone (DTMF key pad) para o input e o text-to-speech synthesis (TTS) para output.

Esta linguagem pode dar diversos tipos de instruções a um voice browser, como por exemplo accionar o sintetizador de voz, fazer o reconhecimento de voz ou organizar o diálogo. O código que se segue quando “lido” por um VoiceXML interpreter fará accionar o sintetizador de voz, o qual produzirá a palavra Olá.







Criado pela AT&T, IBM, Lucent e pela Motorola em Março de 1999, o
VoiceXML Forum é uma organização que promove e incentiva a adopção de aplicações baseadas em VoiceXML à escala global.

O W3C publicou as versões 2.0 2 e 2.1 do VoiceXML como recomendações finais, o que equivale a um standard. O W3C e VoiceXML Forum estão actualmente a desenvolver a versão 3.0.

Os ficheiros VoiceXML podem ser interpretados por um sistema interactivo de resposta por voz (IVR). Este tipo de interface interactiva entre homem/máquina permite ao utilizador navegar pela informação disponibilizada utilizando comandos de voz ou DTMF (no caso de um telefone). A linguagem VXML permite criar menus de escolha múltipla, reproduzir ficheiros áudio, reconhecimento de voz, sintetização de voz e detecção de DTMF.

O VoiceXML simplifica bastante a aplicação de sistemas de voz, já que permite que os developers utilizem estruturas Web, ferramentas e técnicas que lhes são muito familiares. A maioria dos developers considera que criar uma aplicação VXML é um processo mais simples e mais rápido do que criar um IVR.

O VoiceXML pode ser aplicado em diversos ambientes desde a telefonia, a computadores com voice browser, electrodomésticos controlados por voz, entre outros. Portanto, esta é uma linguagem que se adapta a vários contextos e várias interfaces, podendo ser facilmente combinada com outros standards do W3C.

Um dos principais concorrentes do VoiceXML é o SALT (Speech Aplication Language Tags). Esta linguagem permite também uma abordagem multimodal dos sistemas de voz, contudo, o VXML continua a ser a linguagem mais utilizada. O SALT embora esteja actualmente mais avançado do que os primeiros standards do VXML ainda não é oficialmente recomendada pelo W3C. O VoiceXML Forum fez uma comparação entre as duas linguagens - online no site: http://www.voicexml.org/salt/comparisons.html.

Terça-feira, 3 de Junho de 2008

07 | SVG In DAISY

A sigla SVG significa Scalable Vector Graphics. Uma forma interessante de perceber melhor este formato é analisar cada palavra da sigla que o representa.

A palavra Scalable sugere em termos gráficos que uma imagem não esta limitada a um tamanho e na Web significa que determinada tecnologia pode crescer relativamente ao número de ficheiros, utilizadores e variedade de aplicações.

As imagens SVG podem ser aumentadas para qualquer resolução, para que por exemplo possa ser aproveitada toda a resolução de uma impressora e para que as imagens sejam visualizadas da mesma forma em ecrãs de tamanhos e resoluções diferentes. Isto acontece porque os ficheiros SVG podem ser stand-alone graphics ou estar incluídos ou referenciados noutros ficheiros SVG, permitindo assim que a ilustração possa ser construída em partes.

Um Vector contém objectos geométricos, como linhas e curvas. Isto proporciona uma flexibilidade maior do que, por exemplo, formatos raster-only como PNG ou JPEG que armazenam informações sobre todos os pixeis.

A maioria das linguagens representam informação textual, já o SVG permite uma descrição estruturada de vectores e vector/raster Graphics.

O SVG foi criado em 1998 pelo W3C SVG Working Group. Este formato baseia-se na linguagem XML utilizada para descrever vectores estáticos, dinâmicos ou animados.

O SVG é ideal para a criação, distribuição e impressão de imagens visuais ou tácteis (imagens com relevo destinadas essencialmente a pessoas com deficiências visuais).

Actualmente, o SVG apresenta-se como o formato preferencial para ilustrar conteúdo áudio/táctil. Nestes casos, o computador faz a leitura do conteúdo áudio enquanto a imagem táctil é colocada numa ferramenta de entrada sensível ao toque.

O DAISY Consortium considera que ao explorar todas as potencialidades referidas, o formato DAISY ficaria estrategicamente bem posicionado relativamente as tecnologias que requerem componentes áudio/tácteis.

O projecto SVG in DAISY tem como objectivo criar orientações simples e concretizáveis para a integração do SVG no standard DAISY como formato preferencial de conteúdo gráfico.

É essencial que as imagens possam abranger para uma grande variedade de utilizadores e necessidades, incluindo aqueles que necessitam de um diagrama táctil. Para além de ser um formato que permite outputs tácteis e áudio/tácteis, o SVG é também bastante útil para utilizadores que necessitam de aumentar significativamente a imagem para melhor a visualizarem. Por não serem baseadas em pixéis, as imagens ficam completamente nítidas e não há qualquer distorção.

A escolha do SVG como formato de imagens recomendado pela DAISY deve-se ao facto de este ser um formato baseado em texto, que funciona numa plataforma independente e cuja estrutura interna permite anotações textuais extensas e navegação semântica.

Com o desenvolvimento de orientações para a introdução do SVG no DAISY, o grupo de trabalho SVG in DAISY irá dedicar-se a fazer com que o SVG permita o render para uma grande variedade de meios acessíveis, como o táctil, áudio/táctil, voz e outros. Para além disto, este grupo de trabalho irá criar instruções detalhadas para o desenvolvimento de ferramentas que promovam a contínua inclusão do SVG no standard DAISY.

Este grupo irá também identificar e descrever detalhadamente os perfis dos utilizadores, incluindo as suas necessidades específicas, centrando-se em deficiências como: cegueira, baixa visão, deficiências motoras e print-reading disabilities.

No decorrer do desenvolvimento das orientações para a introdução do SVG no DAISY, o grupo de trabalho irá manter contacto com o grupo W3C-SVG, para que o standard SVG não seja alterado. Caso seja necessário, o grupo SVG In DAISY poderá recomendar que algumas modificações sejam incorporadas no standard SVG.

O grupo de trabalho irá desenvolver materiais didácticos e tutoriais com o intuito de explicar como criar conteúdos DAISY utilizando SVG.

O SVG In DAISY preocupa-se também em especificar os métodos de interacção entre os utilizadores de DAISY e o conteúdo SVG, centrando-se principalmente em utilizadores invisuais.

Para existir interacção áudio/táctil é necessária uma cópia táctil e um hardware que permita aos utilizadores obter informações sobre a imagem táctil ou sobre qualquer objecto ou texto que esteja em imagem. O hardware mais utilizado para estas funções é um touch-sensitive pad, onde se pode colocar a cópia táctil. Este hardware envia informações para o computador que depois através do sistema de voz comunica a informação relativa ao ponto indicado pelo utilizador.

As imagens SVG podem conter texto e elementos gráficos, os quais podem ter título e descrição. Em regra, os utilizadores estão habituados a ouvir o título do objecto e depois fazer algo que inicie a leitura da descrição.

Apesar de este tipo de interacção se intitular áudio/táctil, não deixa de ser possível representar em Braille a parte áudio, tornando assim os conteúdos acessíveis a utilizadores invisuais e surdos.

Funções essenciais:

| O utilizador deve ter a possibilidade de ouvir o texto seleccionado;

| O utilizador deve ter a possibilidade de ouvir o titulo de um objecto gráfico quando seleccionado;

| O utilizador deve ter a possibilidade de aceder a informações áudio através de um display braille on-line;

| O utilizador deve ter a possibilidade de pedir descrições adicionais sobre determinado conteúdo;

| O utilizador deve ter a possibilidade de ouvir o título e a descrição da imagem.